Nagarjuma
Pequeno Sutra com um resumo
da Doutrina do Vazio, datado
da primeira metade do século II d.C.
De leitura complexa,
mas selecionado por seu profundo significado espiritual

 
SOM



Einstein
Laél
Mbyá Guaraní
Padma Sambava
Prem Rawat
Sócrates
Shankara Acharya
Vyasa Dvaipayana

O Sendeiro da Sabedoria Transcedental:

A questão de Shári-Putra

1 — Assim eu ouvi: Uma vez o Conquistador entre a grande assembléia do Sangha composta de Bícshus e Bodisatvas no Pico do Abutre em Rajagriha, estava sentado mergulhado nesse samádi cha­mado a lluminação profunda.

2 — E no mesmo momento o Bodisatva, o Grande Ser, Ária Avalokiteshvara, sentado, meditando sobre a profunda Doutrina de Prajna para mitá que os cinco agregados são da natureza do Vazio.

3 — Acerca disto, inspirado pela potência do Buda, o Venerá­vel Shári-Putra se dirige assim ao Bodisatva, ao Grande Ser Ária Ava­lokiteshvara: Como um ser nobre desejoso de praticar os profundos ensinamentos da Prajna para mitá pode compreendê-los?

A RESPOSTA DE AVALOKITESH VARA

4 — Tendo ouvido a questão, o Bodisatva, o Grande Ser, Ária Avalokiteshvara respondeu e falou assim ao filho de Shári Dvati:

5 — “Shári-Putra, todo ser nobre, filho ou filha espiritual desejoso de praticar os profundos ensinamentos da Prajnaparamitá deve compreendê-los da seguinte forma:

6 — Os cinco agregados devem ser compreendidos como sendo natural e inteiramente, o Vazio.

7 — As Formas são Vazio e o Vazio é Forma; nem as Formas nem o Vazio podem ser separados, nem as Formas serem distintas do Vazio.

8 — Assim, a percepção, o sentimento, as tendências e a consciência são o Vazio.

9 — Assim, Shári-Putra, todas as coisas são o Vazio sem características, não-nascido, não-entravado, não-sujo, impoluível, sem subestrutura: Vazio.

10 — Shán-Putra, sendo assim, o Vazio não possui forma, nem percepção, nem sentimento, nem tendências, nem consciência; nem olhos, nem orelhas, nem nariz, nem língua, nem corpo, nem mente, nem forma, nem som, nem odor, nem gosto, nem tato, nem qualidade.

11 — Onde não há olhos, não há desejos e assim até...

“não possui consciência de desejo”.

12 — Não há Ignorância, não há vitória sobre a Ignorância e assim até... não há decrepitude e morte, não há vitória sobre a decrepitude e a morte.

13 — Com o mesmo sentido, não há dor, não há mal, nada a retirar, não há Sendeiro, não há Sabedoria, nada a atingir ou a não atingir.

14 — Shari-Putra, sendo assim — pois mesmo para os Bodisatvas nada há que deva ser atingido repousando na Prajnaparamita, não há obscuridade mental da Verdade e por esta razão nenhum temor e indo bem além dos sendeiros dos erros e das doutrinas chega-se com sucesso ao Nirvana.

15 — Também todos os Budas que permanecem nos Três Tempos atingiram o estado de Buda, o mais elevado, o mais puro, o mais perfeito, apoiando-se na Prajna para mitá.

16 — Sendo assim, o Mantra da Prajnaparamitá, o mantra da Grande Lógica, o mais alto mantra, o mantra que toma igual àquilo que não pode ser igualado, o mantra que acalma a toda dor e não contendo nenhuma mentira é conhecido por ser verídico, o mantra da Prajnaparamitá é agora pronunciado.

Ó sabedoria, parti, parti, parti para a outra margem, sva-há.

17 — Shári-Putra, um Bodisatva, um Grande Ser deve assim compreender a Prajnaparamitá.

A APROVAÇÃO DO BUDA

18 — Então o Conquistador saiu do estado de samádi e disse ao Bodisatva, ao Grande Ser, Ária Avalokiteshvara: “Bem, Bem, Bem”.

19 — E após esta aprovação disse: “É assim, ó Ser Nobre, é assim. E como descreveste a profunda Prajnaparamitá, deve ser compreendido. Os Tathágata (ou: os Budas) também ficaram satisfeitos com esta explicação.

20 — O Conquistador tendo assim falado: o venerável filho de Shári-Dvati, o Bodisatva, o Grande Ser, Ária Avalokiteshvara e todos os seres lá reunidos - devas, homens, asuras, gandarva (espíritos aéreos musicais) e o mundo inteiro - rejubilaram-se e louvaram as palavras do Conquistador.

Aqui termina a Essência da Maravilhosa Sabedoria Transcendental.

Bardo Thödol – Editora Hemus