Ayvú Rapytá
Texto mítico original
da tribo Mbyá Guaraní
estimada em muitos séculos.



 
SOM


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O Fundamento da Linguagem Humana

O verdadeiro pai Ñamandú, o primeiro,
De uma pequena porção de sua própria divindade,
Da sabedoria contida em sua própria divindade,
E na virtude de sua sabedoria criadora,
Fez que se gerassem Chamas
E tênue Neblina.

Havendo-se erguido,
No meio das trevas primordiais,
Antes que se tivera consciência das coisas,
Criou Aquilo que seria
O fundamento da linguagem humana
E fez o verdadeiro Primeiro Pai Ñamandú
Que formou parte de sua própria divindade.

Havendo criado em sua solidão
O fundamento da linguagem humana,
Havendo criado em sua solidão
Uma pequena porção de amor,
Havendo criado em sua solidão
Um curto Hino Sagrado para si mesmo.

Foi em virtude disto que
Nosso Pai Assentou no mesmo centro de seu coração
A origem da Sublime Palavra
Que originalmente gerou,
A isto se chama
“as Chamas da Neblina do poder criador”,
Em virtude dela
Em virtude de tê-la posto em pé
Simultaneamente com a Fonte de Luz em seu coração,

E o sol, para que em toda extensão
Da terra e do firmamento
Não havia absolutamente nada
Que escapasse de sua vista,
À aquilo que criou como parte de si mesmo,
E em virtude de seu Verbo
O verdadeiro Pai Ñamandú, o Primeiro, as chamou
“as Chamas e a Neblina do poder criador,
O Sol da divindade”.

Havendo refletido profundamente,
Da sabedoria contida em sua própria divindade,
Com o reflexo de sua sabedoria, o sol,
Criou os Ñamandú de coração grande.
Por terem eles assimilado
A sabedoria divina
De seu próprio Primeiro Pai,

Depois de ter assimilado
A linguagem humana,
Depois de ter-se inspirado
Na primeira porção de amor,
Depois de ter assimilado
O hino sagrado,
A eles chamamos
Sublimes pais verdadeiros
Da Palavra Alma.

A continuação, da sabedoria contida
Em sua própria divindade
E em virtude de sua sabedoria criadora,
Os dividiu consciência da divindade.

A um deles disse nosso Pai:
Farás vigiar as fileiras de chamas inexeqüível
Em que eu me Inspiro,
Teus filhos vigiarão
Aquilo que tem de produzir o Ruído,
De Creptar as Chamas.
As fileiras de Chamas
Para que escutem o Ruído do Creptar.

A Jakairá Ru Eté disse:
Tu vigiarás a Fonte da Neblina
que gera a Palavra Inspirada,
Aquilo que concebi em minha solidão,
Faz que O vigiem teus filhos,
os Jakairá de coração grande.

Em virtude do qual, que se chamem
Donos da Neblina Da Palavra Inspirada,
Dê-o a ti mesmo.

Antes de fazer descer a morada terrena,
A ciência boa para as gerações, disse:
Acomodarás em primeiro lugar
No Alto da Cabeça de nossos filhos e filhas
A Neblina Vivificante.
Cada vez que retorna a primavera,
Farás circular por intermédio de teus filhos,
Os Jakairá de coração grande,
A Neblina, pela morada terrena.
Unicamente em virtude Dela
Poderão nossos filhos, nossas filhas, prosperar.

Karai Ru Eté, tu também farás
Que as Chamas Sagradas se alogem
Em nossos amados filhos,
Em nossas amadas filhas.
Por isso Tupã Ru Eté,
Aquilo que concebi para Refrescar,
Faz que se aloge no centro do coração
De nossos filhos.

Unicamente, mediante
Aquilo que Refresca,
As leis que pronunciei para reger o Amor,
Não produzirão excessivo calor
Em nossos futuros amados filhos,
Em futuras amadas filhas.
Tu enviarás repetidamente à morada terrena
Por intermédio de teus filhos,
Aos de coração grande,
Aquele que Refresca.

Depois disto,
Inspirou o canto Sagrado do Homem
Aos verdadeiros primeiros pais de seus filhos,
Inspirou o canto Sagrado da Mulher,
As primeiras mães de suas filhas,
Para que depois disto,
Em verdade prosperarem,
Que se ergueriam

Em grande número na Terra.