Pergunta
Deus, mais uma vez ao longo dos tempos,
enviaste mensageiros para este impiedoso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram,
Ama o próximo - Liberta o seu coração do mal.
Eles são venerados e lembrados,
embora nestes obscuros dias
os mandemos embora
com insensíveis cumprimentos,
para fora das nossas casas.
E entretanto vejo
dissimulados ódios, assassinando
os desamparados sob a capa da noite;
e a Justiça a chorar silenciosamente,
furtivamente, o abuso do poder,
sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
aflitos, batendo com a cabeça na pedra,
inutilmente.
Hoje a minha voz calou-se;
não tenho música na minha flauta;
A negra noite sem lua encarcerou o meu mundo,
mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que envenenaram o teu ar,
a esses que apagaram a tua luz,
será que lhes perdoaste?
Será que os amas?
Tradução de José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim |